domingo, 8 de julho de 2007

"Antiquada", pensava ele. Há anos ela fazia a mesma coisa. Sentava-se em sua poltrona com um caderninho e um lápis nas mãos e passava horas intercalando tempestades de pensamentos com minutos de escrita incansável. Por que raios ela preferia escrever daquela forma? Riscava sem precisão as palavras que errava, voltava atrás em suas idéias. Não apagava nada, nada. Ao terminar, sua obra prima parecia mais um papel rabiscado digno apenas de uma lixeira. Ele a olhava com desdém. O computador era um jeito mais prático, mais limpo, mais rápido. Qual seria o problema daquela mulher?


Mas eram incríveis as maravilhas que saíam da ponta daquele lápis. Lápis esse que refletia o âmago de seu cérebro feroz.